Depois da festinha do Dia da Criança que fizemos pras crianças carentes, eu me senti mais leve. Com aquela sensação boa de dever cumprido. É assim que eu passei os últimos dias. Quase saltitando de alegria, o que não me impediu de continuar pensando naquelas crianças, nos seus problemas e em o que fazer para ajudar. Alguns dias depois da tal festinha aqui na rua, voltei lá na comunidade, mas dessa vez a Shine a Foxy e a Julie foram junto.
Lá, a gente viu que existiam muito mais problemas naquele lugar do que se podia imaginar, aproveitamos e conversamos com várias pessoas que moram lá, pra tentar ficar por dentro do que realmente acontece no dia-a-dia das crianças. Eu fiquei chocada de saber que tem gente de doze anos por aí, ou menos, roubando, e também tem gente da minha idade viciada em drogas. Um completo absurdo!
Em vez de ficar triste, me deu mais vontade ainda de mudar aquilo. Mas, o que fazer quando o problema muitas vezes começa dentro da casa dessas pessoas? Falta de comida, de educação, de trabalho, falta total de higiene, casebres miseráveis, doenças, exclusão social, e muito mais… Crianças abandonadas pelos pais e outras que, mesmo com boa família, fogem de casa e acabam indo pras ruas. Se envolvem com o mundo do crime e das drogas. Alguma coisa tem de ser feita, e logo!
Logo eu já tive um monte de idéias, mas nada muito concreto naquela hora, ainda tinha que amadurecer as idéias e discutir sobre elas com minha mãe, e com quem mais quiser ajudar. Voltando pra casa depois de passar a tarde toda na comunidade, a Shine, a Foxy, a Julie e eu viemos pensando em tudo que tínhamos visto lá, e no que as pessoas nos falaram.
Deu pra perceber que lá não tem só pais irresponsáveis, como pensávamos, e gente ruim (nos sentimos as próprias burguesinhas desinformadas e metidas). Tem muita gente bacana, que sofre com a exclusão e a ausência total de condições mínimas de sobrevivência. Pessoas dignas, que trabalham, que lutam contra a dor da pobreza, do estômago vazio, da desesperança… Mas, mesmo assim, não desistem da luta e são solidárias umas com as outras, dividem o pouco que têm.
Grandes lições. Estou amadurecendo. Deixando de me queixar aqui em casa por coisas tão fúteis. Estou conversando mais com minha mãe, ouvindo mais o que ela tem a me dizer e respeitando o que me diz. Estou me tornando uma pessoa melhor, menos egoísta e mais aberta para o mundo que me cerca. Deixei de ser meu próprio centro de atenções.
Agora, cá entre nós, o ano passou tão rápido! E ainda bem que esse ano minhas notas estão ótimas, com exceção de matemática, claro! Mas, se eu me esforçar, eu sei que consigo. Que beleza! Tá tudo indo bem na minha vida, só falta agora um gatinho pra completar. Hehehe…
Um super beijo da Mary!











