Depois da última visita à comunidade carente, fiquei muito mexida com tudo que vi e ouvi por lá. Foi uma lição de vida e tanto, não só pra mim, mas pra Shine, pra Julie e pra Foxy, que foram comigo. Nós ficamos com o pensamento a mil, tentando arrumar uma forma de fazer alguma coisa pra mudar aquela realidade tão triste. Conversei bastante com a minha mãe e tivemos ideias ótimas juntas. Mas não eram viáveis, pois precisavam de muito dinheiro para virarem realidade, todos tinham um detalhe que os tornava impossíveis de serem postos em prática. Quando eu já estava começando a pensar que meu projeto pra ajudar as pessoas necessitadas nunca sairia do papel, me lembrei de um filme que eu vi há muito tempo atrás.
O nome é “A Corrente do Bem”. Todo mundo já deve ter visto, ou ouvido falar, mas só pra relembrar, o filme fala de uma idéia genial que um garotinha de 11 anos teve, uma espécie de corrente que começa assim: você faz um grande favor a alguém, mas em vez de essa pessoa retribuir a você, ela deve “passar pra frente”, fazendo três grandes favores a três outras pessoas. Isso gera uma reação em cadeia que, no filme, pelo menos, alcançou proporções enormes. Então eu pensei, “por que não fazer isso aqui na minha cidade? Com o pessoal da escola, da pista de skate e, principalmente, da comunidade carente. É uma idéia simples, mas muito eficaz e que pode mudar muitas vidas”.
Resolvi tentar. Pode parecer meio absurdo, mas é melhor do que ficar em casa assistindo pela TV as desgraças acontecerem. Chega disso tudo, tanta violência, injustiça, corrupção. O mundo pode melhorar! E se eu puder fazer alguma coisa pra ajudar, não vou medir esforços pra conseguir. Fui assistir ao filme de novo, só pra me inspirar, e convidei uma galera pra assistir comigo. Todo mundo adorou e no final eu falei da minha idéia de “copiar” o filme e pôr em prática a corrente do bem.
Expliquei como seria simples se cada um fizesse a sua parte. Teve gente que adorou, já estavam pensando na pessoa pra quem fariam o favor, mas alguns dos meus amigos fizeram cara feia. Disseram que realmente era muito legal o filme, mas que essa história de corrente do bem não ia dar certo na vida real. Que a maioria das pessoas não iria passar os favores pra frente e que eu estava perdendo meu tempo. Foi uma decepção, eu pensei que todo mundo ia se empolgar com a idéia como eu, mas os poucos que acreditaram e quiseram ajudar estavam pondo fé na idéia.
Eram a Shine, a Foxy, a Julie, o Ted, minha mãe e mais alguns amigos, da escola e da pista de skate. Nos reunimos no outro dia pra discutir os detalhes, do tipo quando começar e com quem, etc. Naquele dia mais gente desistiu, acho que foi porque passou aquela empolgação que dá logo depois de ver o filme. É uma pena, mas se eles não acreditavam mesmo que ia dar certo, não adiantava nada.
Depois de uns dias, sobraram só umas cinco pessoas no grupo. Mas não importa, não vou desistir tão fácil, como o garotinho do filme. Depois de uns tempos, quase todo mundo já tinha conseguido fazer o primeiro favor. Eles acharam ótimo e cada um me contou o que tinha feito. Senti uma energia boa, tenho certeza que vai dar certo e que a corrente vai seguir em frente. Apesar de ter gente por aí pensando que eu pirei, que estou maluca e que nunca vai dar certo, tem gente também que nem dá bola.
Mas tem também muita gente que me elogia e acha uma boa idéia essa história toda. E são essas pessoas que me dão energia pra continuar. Ainda não fiz o meu primeiro favor, mas logo, logo vou fazer. Não tive nenhuma boa oportunidade ainda. Vou visitar a comunidade carente nos próximos dias, com certeza, lá, eu vou achar alguém que precisa de um grande favor.
Beijinhos, Mary Jane!











