Mary Jane / Blogs



17 de dezembro de 2007

FIM DE ANO COM MUITAS SURPRESAS

Postado por admin em 17 de dezembro de 2007

Finalmente, férias!

As aulas acabaram e, para minha surpresa, este ano eu não peguei nenhuma recuperação, nem mesmo em Matemática, que pra mim é a matéria mais difícil de todas. Vários colegas meus ficaram em recuperação e eu vou ajudar o pessoal a estudar pras provas. Agora, sem as aulas, eu vou ter mais tempo pra dedicar ao projeto da corrente do bem. Meu primeiro favor foi um sucesso. Ajudei uma família pra caramba e eles ficaram muito agradecidos… Vão passar a corrente do bem pra frente. Mas, é claro, que não termina por aí, o pai daquela família vai ter que continuar o tratamento para se livrar do álcool. Mas já é meio caminho andado, afinal, dizem que a parte mais difícil é o início, né?

O segundo favor eu fiz lá na comunidade carente também. Dessa vez eu fui visitar um lar de idosos, em um lugar bem pobrezinho, que vivia de doações feitas pelas pessoas da comunidade, um lugar onde faltava praticamente tudo. Comida, materiais de limpeza, cuidados médicos, etc. Mas o que mais fazia falta, e isso eu notei antes de entrar, era alegria, carinho, afeto. Os idosos que moram ali vivem praticamente abandonados, raramente um ou outro parente vem para visitá-los.

E, os poucos funcionários mantidos pela prefeitura, não tinham condições nem tempo de tratar os velhinhos como eles realmente merecem. Eles faziam com carinho, mas só o que lhes era “possível”. Como aconteceu no primeiro favor, eu senti ali uma grande energia, senti que tinha que continuar fazendo alguma coisa. Depois de visitar os velhinhos e conversar bastante com eles, fui pra casa pensar num jeito de ajudar. Conversei com minhas amigas e lá fomos nós.

Primeiro, conseguimos duas empresas que se comprometeram em doar todo mês uma quantia em dinheiro. Não era muito, mas o suficiente para não faltar remédios, comida e higiene para os idosos. Depois, conseguimos três voluntários para trabalhar lá. Pronto, metade dos problemas estavam resolvidos. Mas o mais difícil era arranjar um jeito de levar carinho, afeto e atenção para os velhinhos. Juntei o pessoal da rua, mais algumas pessoas da comunidade e fui lá no lar. Passamos a tarde toda preparando a grande surpresa. Fizemos contato com as famílias de cada idoso.

Foi difícil, afinal eram mais de quinze famílias para convencer a ir lá para fazer uma visita aos vovôs e vovós. Mas, no final, deu certo. Fizemos um chá e, naquela tarde, todos os velhinhos receberam a visita de pelo menos um familiar. Foi emocionante. Dava para ver nos olhinhos deles o brilho de felicidade. Tiramos muitas fotos para eles terem de recordação desse dia, que com certeza irá se repetir. Muitos já pensavam que a família havia esquecido deles. Acho que só o que faltava era esse empurrãozinho.

Agora sim, aquele lugar parecia um lar de idosos de verdade. Todos sorrindo e sabendo que alguém se importa com eles. Esse foi o grande favor, agora falta mais um. Espero ter realmente mudado um pouco a vida daquelas pessoas, ou pelo menos ter feito eles se sentiram felizes. E, o que é mais importante: um pouco mais amadas!

Bem, agora posso começar a preparar a festa de Natal da minha turma, e até começar a pensar nas férias. Por falar em férias, sabem que o Leco está para vir para o Brasil?! Ele me mandou alguns “scraps”, meio sem jeito, talvez tenha pensado nos motivos que me fizeram desencanar dele. Não posso dizer que não senti alguma coisa, mas não quero mais ficar na ilusão. Vou só pensar em ter companhia para surfar, e se rolar alguns beijinhos não será nada mal. Mas, tem algo que não contei, no último campeonato de skate tinha uns gatinhos muito lindos. E, o que ficou em terceiro lugar, eu amei, e ele bem que me deu alguma importância.

E, ficou combinado que, quando ele for para a praia, irá me procurar. Os que moram aqui pertinho prometeram vir na nossa festa de final de ano, que faremos na quadra. Vamos ver no que vai dar. Ufa!

Será que vamos encontrar parceria para nossos trabalhos voluntários, afinal na época do campeonato era só o que falávamos… ou, vou arrumar um namorado? Parece que só eu estou sozinha… Importante é ter companhia para as férias, se rolar algo legal, valeu.

Agora, Natal em família…

Feliz Natal para vocês.!

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10 de dezembro de 2007

A CORRENTE DO BEM – PARTE 2

Postado por admin em 10 de dezembro de 2007

O último dia de aula está se aproximando e, com ele, vem também toda aquela tensão típica de fim de ano, provas, recuperações, etc… Mesmo assim, eu só consigo pensar no meu projeto da “corrente do bem”, que por sinal está indo melhor do que eu podia imaginar. Quase todos que estavam envolvidos com o projeto no início já “passaram pra frente” os três “favores”. E, pelo que me contaram, eles ajudaram as pessoas pra caramba. Fiquei super feliz com isso! E a maioria desses “favores” foram feitos para pessoas da comunidade carente. E o que eu fiz também foi.

Só fiz um dos “favores” até agora, mas esse com certeza foi de muita importância para quem recebeu. Vou contar desde o início como foi. Alguns dias depois de iniciar o projeto, fui visitar de novo a comunidade. Lá, como nas vezes anteriores, eu vi muita coisa triste, gente passando necessidade, fome e frio. Como eu sabia que ia encontrar isso por lá, já fui prevenida, levei roupas e alimentos doados pelo pessoal da minha rua. Mas só isso não podia ser considerado como um dos “favores”. Tem que ser algo grande, que mude alguma coisa importante na vida de alguém.

Eu, a Shine e a Foxy estávamos caminhando por umas ruazinhas estreitas, quando começamos a ouvir um choro de criança vindo de algum lugar bem próximo, mas não sabíamos de onde, porque tinha várias casas, bem pequenas e próximas umas das outras. Logo ouvimos também o choro de uma mulher, devia ser a mãe daquela criança. Em seguida, ouvimos um homem gritando com a criança e a mãe. Percebi que se tratava de uma família com problemas, e com um pai bem violento e que, provavelmente, tinha problemas com bebida ou alguma coisa do tipo. Um dos vizinhos veio ver o que estava acontecendo, e nos contou que aquilo sempre acontecia naquela casa e que o que eu tinha imaginado era verdade.

O pai, desempregado e alcoólatra, batia na mulher e no filho de apenas seis anos. Aquilo me deu um nó na garganta, eu não podia fazer nada, me senti completamente impotente diante daquela situação. Se eu fosse lá bater na porta da casa, podia acabar sobrando pra mim. Aí, eu vi qual seria o meu primeiro grande “favor”, eu tinha que ajudar aquela mãe e aquele filho, mas não sabia o que fazer. Esses problemas, envolvendo família, são geralmente bem delicados.

Foi então que eu pensei, tem que ser um ato de recuperação e não de castigo. Fui até o centro comunitário e descobri uma fazenda para recuperação de alcoólatras. É claro que já sabia que o homem era um marceneiro muito bom. E por aí foi que fizemos o convite, é sim, convite. Ele foi convidado para ir para a fazenda ensinar os mais jovens, com direito a um salário e finais de semana com a família. Fui com o pessoal do centro até a casa da família e não é que deu certo?

Ah! Parece que agora vai haver um estudo de outros casos e encaminhamentos parecidos. Saí tão feliz, que resolvi pensar sobre a festa de encerramento da minha turma da escola. Vai ser bem legal, já estou com várias idéias na cabeça, mas nada concreto ainda. Mas vai bombar, com certeza! Só preciso agora garantir que não vou pegar recuperação em matemática. No resto das matérias, eu sei que já estou passada.

Beijos, Mary Jane!

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